29 de outubro de 2013

Keep on moving!


Possuir duas coisas tão valiosas e impagáveis, causa uma insegurança absurda, não se controla, apenas se sente, principalmente nos dias atuais onde não há preocupação com o próximo, onde possuir caráter virou "trollagem" na vida real, passar por cima do outro deixou de ser exceção e virou regra, enfim, continuo sem querer me adequar e apesar do mundo ter mudado pra pior, continuo anormal a normalidade deles, mas não é esse o ponto que quero descrever, o ser humano precisa de auto afirmação e como sou humano, comigo não poderia ser diferente.

Cultivar o sentimento amizade é fabuloso, cultivar o sentimento de amar é temeroso, cultivar os dois é meu querer, perder quaisquer um deles seria o meu fim, e é por expor isso que cada dia me sinto mais fraco, vulnerável e sem saber se devo persistir no que é óbvio pra mim. Tudo que queria para mim no momento, era apenas me importar se isso fará somente bem e se era o melhor a ser feito a mim, mas é mais forte do que eu e apenas não consigo, fui atingido pela arma e este é de fato o meu caos primitivo.

You're the sun of the night 
You're the spark thats sets on fire
You're the shield of my life
You're my shining star...

18 de outubro de 2013

Ah, o medo!


Medo de amar? Parece absurdo, com tantos outros medos que temos que enfrentar: medo da violência, medo da inadimplência, e a não menos temida solidão, que é o que nos faz buscar relacionamentos. Mas absurdo ou não, o medo de amar se instala entre as nossas vértebras e a gente sabe por quê.

O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acaba. Rasga a gente por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até a virilha, o amor se encerra bruscamente porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atração, sei lá, vá saber o que interrompe um sentimento, é mistério indecifrável. Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor pra cada canto. Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre traumático. Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, romper um amor não é bobagem, é fato de grande responsabilidade, é uma ferida que se abre no corpo do outro, no afeto do outro, e em si próprio, ainda que com menos gravidade.

E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade. Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do carro.

Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia. Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim. Um novo amor? Nem pensar. Medo, respondemos.

Que corajosos somos nós, que apesar de um medo tão justificado, amamos outra vez e todas as vezes que o amor nos chama, fingindo um pouco de resistência mas sabendo que para sempre é impossível recusá-lo.
Martha Medeiros