28 de dezembro de 2023

Breve análise de 2023

Hoje é dia de #tbt, tão nostálgico que até esse espaço resolvi revisitar. Pensei a alguns dias atrás se de fato gostaria de deixar isso aqui registrado, a resposta era "sim", mas estava faltando disposição e tempo, sim, faltava tempo. Meus dias andam tão exaustivos que tenho me desprendido de outras coisas.

No inicio do ano voltei para São Paulo, conheci pessoas incríveis, pessoas da vida real, sem essa de contato online, foi no pessoal mesmo, o que proporcionou trocas incríveis, inclusive psicanalíticas. Fui ao Rio de Janeiro para aniversário de gente famosa, cercada de gente famosa, vi a Iza de perto e ela é aquilo mesmo de perfeição, voltei para São Paulo e passei meu aniversário na cidade cinza, o que é bem triste, mas estava cercado de gente que me faz bem. Em maio voltei para Salvador para o aniversário de minha mãe, entre junho e julho fui para Aracaju, onde reencontrei o São João que tanto amo, afinal, se tem uma coisa que a gente aprende a sentir saudade quando tá longe de nossa terra (mesmo estando no mesmo país) é da culinária e do calor dos nossos semelhantes. Em agosto reencontrei meu amorzão da vida (Taiene, oh você aqui) que saiu lá da casa da porra das europa pra rever a família e para me ver também, e ela que diga o contrário, aliás, uma das 3 pessoas que me desejaram "feliz natal" esse ano, o que diz muito sobre muita coisa, inclusive sobre mim.


Foi ela voltar pra europa que no mesmo mês voltei pra São Paulo. Algo que preciso salientar aqui é que está em Salvador, me organiza, quando saio, preciso me dedicar a mim, ao meu trabalho, a casa, alimentação, e contatos, São Paulo me faz está muito em contato com outras pessoas por diversas demandas, inclusive trabalho e ainda tenho dificuldades em me relacionar com isso, mas o meu trabalho é algo que me preocupa por diversos motivos, pelo tempo que me toma em prática, em estudo e em contato, mas a principal preocupação é precisar do trabalho. A tranquilidade de está fazendo a coisa certa é também o motivo da ansiedade de não vacilar com quem depende de você tá bem preparado na teoria e na prática.


Afunilando mais sobre essa segunda volta a São Paulo no ano, preciso dizer também que foi o meu período mais difícil naquela cidade, as demandas no trabalho aumentaram muito (ainda bem), isso traz um ganho, mas um desgaste também. O tempo para atender as demandas de casa diminuiu, algumas coisas ficaram acumuladas, o que me gerou um cansaço que ainda não conhecia, em meio a tudo isso algumas incertezas em relação a minha avó reapareceram, questões familiares que pareciam resolvidas já não estavam tão resolvidas assim e isso virou um amontoado de coisas que não dei conta e nem teria como dar. Tive que lidar com aspectos da ansiedade que ainda não tinha experimentado, tive que lidar com o fato de Lua precisar fazer uma cirurgia tento apenas a mim como suporte, já que ela estava longe da família e eu só queria que tudo isso não passasse, mas ao menos aliviasse e está longe de São Paulo já seria um grande passo e assim o fiz.


No inicio do ultimo mês do ano resolvi conhecer Curitiba, ainda não conhecia o sul do país e resolvi começar logo pela mais reacionária e fui surpreendido positivamente pela estrutura em si e pelas pessoas que cruzaram os nossos caminhos por lá, enfim, uma cidade muito bonita, mas sem muitos aspectos naturais, até as cachoeiras que lá existem, são construídas e tá pra nascer lugar em que as pessoas gostam tanto de estrutura metálica tubular com vidro (risos), espero voltar, dessa vez pra pegar frio, porque se tem uma coisa que passei nesses últimos meses do ano foi calor.

Depois desse rolê em Curitiba, partimos para São Paulo e 10 dias depois partimos para Aracaju, chegando aqui, não consegui ficar 2 dias e me piquei pra Salvador pra matar a saudade de mainha, do Acarajé de Regina e de uma moqueca de camarão que fui comer com a coroa, ela ainda faz cara feia para acarajé, voltei para Aracaju para passar o Natal, sigo trabalhando, mas com o olho voltado para o dia de amanhã que será quando farei os últimos atendimentos do ano. E o que será do réveillon? Só Deus e meu inconsciente sabe, ou vai lá Freud saber quais são os planos de Deus pra minha vida?! Com sorte, volto antes do ano que vem.

Salvador > São Paulo
São Paulo > Rio de Janeiro
Rio de Janeiro > São Paulo
São Paulo > Curitiba
Curitiba > São Paulo
São Paulo >  Aracaju
Aracaju > Salvador
Salvador > Aracaju
Aracaju > ...

8 de junho de 2023

Eu ainda não surtei (Parte III)

Hoje é feriado e resolvi ler um pouco e estudar, nada além disso. Comprei muitos livros na feira do livro da unesp, ainda bem. A semana tem difícil e sem terapia as coisas ficam mais difíceis, celular deu problema, me mantive isolado do mundo e toda minha comunicação se deu pelo whatsapp business que fica conectado no meu notebook, até os atendimentos precisaram acontecer por lá, o que tornou mais algumas percepções interessantes, mas como tenho aprendido nos meus processos, cada um se protege e lida a sua forma, não é mesmo?! Em meio ao reboliço, o melhor dos alentos é minha amiga sair lá do outro lado do mundo e a gente poder se ver em Salvador, até nossas vindas a Salvador coincidiram, coisas do universo, e só o fato de saber que ela tá perto mesmo não estando aqui agora comigo, traz um alento pro coração.

Ontem postei textos que estavam salvos aqui a meses e sem postar, deveria ter parado para escrever ontem, mas alguns atendimentos surgiram, e justamente hoje que não me dediquei a nada além de comer e ler, abri o notebook para consumir outros tipos de conteúdo e vejo a aba do blog aberta. Agora com celular quase "ok", volto pro mundo. Sigo a beira do colapso, esperando não chegar lá.

27 de maio de 2023

Eu ainda não surtei (Parte II)

 Acredito que nunca tenha vivenciado semanas tão difíceis em relação a demandas pessoais e de trabalho, é muito louco a tomada de consciência dessa cobrança que sempre impus sobre mim diante das questões que me acompanham desde sempre. Tá aqui nesse avião voltando pra Salvador é um alívio, mas aterrissar significará outras demandas e outras preocupações, a sensação de cansaço me toma. Não consigo descansar do trabalho, da ansiedade, das demandas familiares, das expectativas impostas sobre mim, me sinto aliviado para que me sinta sufocado daqui a pouco. Preciso mudar essa dinâmica. A terapia deveria ter só ajudado, mas saber que por vezes é preciso demolir pra construir de novo me assusta. Tô cansado, mas estarei cansado em Salvador.

5 de maio de 2023

O mito da terapia em dia

Passando aqui para dar uma atualização para mim mesmo. Nunca me senti tão exausto como tenho me sentido, principalmente no aspecto emocional. Esse papo de terapia em dia é um mito e tenho vivido isso na prática. Teoricamente preciso fazer análise para ser um analista e sentir esse desconforto dos pacientes na pele, e tô numa fase da terapia de descobrir meus monstros (e que monstros), tem sido difícil lidar com cada um deles, principalmente esse que me faz carregar o peso de ser o responsável, de ser o cuidadoso, o que provem, o que precisa se fazer presente, o que não pode falhar... Tem sido devastador perceber o quanto esse lugar que sempre busquei ocupar de forma inconsciente me fez perder momentos de leveza e cuidado, me tirou possibilidades incríveis e só me inseriu em lugares de insegurança e medo. Eu sou filho de mãe solo e criado no nordeste, como assim eu tenho medo? Eu sou formado em comunicação, como assim me privo de me comunicar e de aparecer? Lidar com as próprias inseguranças não é fácil, com aquelas que você sequer tinha consciência que existiam, pior ainda. Mas é assim na psicanálise, né? É desconfortável, é desconstrução de si, é a partir da tomada de consciência que resolvemos as demandas do inconsciente. Será que as demandas terão um fim? Veremos.

20 de abril de 2023

Mais 1 ano pra conta

Mais um ciclo, mais uma volta em torno do sol. Só agradecer, inclusive pelos perrengues, e por saber que existe muita gente especial na minha vida, apesar da solitude, não me cabe a solidão. Me manterei atento aos sinais. Obrigado, universo!

3 de março de 2023

Eu ainda não surtei (Parte I)

 Aqui estou mais um dia embarcando para São Paulo, sei nem se vou publicar esse texto, mas acho importante deixar registrado aqui que estou mais uma vez indo para aquela cidade que amo e odeio na mesma medida e com uma visão completamente diferente da última vez. Estou indo com "data" de volta e data com aspas por não ter uma data específica, mas com a certeza de que será antes do aniversário de minha mãe. Tenho vivido complicações familiares que não sei como vão desenrolar, tenho me visto cada vez mais sozinho por conta das demandas que tenho tentado atender, com minha casa cada vez mais dependente financeiramente de mim e tendo que dar conta de me deslocar para São Paulo, dar conta de equilibrar as coisas em Salvador e debater em família como as coisas se darão em Vitória da Conquista, tendo que cuidar de casa, comida e na medida do possível um pouco de autocuidado para ter saúde e cuidar dos meus processos e dos processos dos meus pacientes.

26 de fevereiro de 2023

BackUp - Parte I

Quase um ano se passou desde a ultima vez que estive aqui e por incrível que pareça, aqui é o lugar onde obtenho um melhor controle da minha vida, se é que da pra chamar isso de controle. Escrevo isso num momento da minha vida que passei mais tempo morando em São Paulo do que o tempo que estou morando em Salvador. Muitas coisas mudam ao longo das nossas vidas, alguns sentimentos permanecem, lidar com eles que é o inferno astral de nossas vidas. Eu nunca precisei cuidar de casa sozinho, de fazer comida, de pagar contas, de ter que fazer o dinheiro para pagá-las, inclusive, e de fazer a manutenção das pessoas a minha volta. Sair de casa, da minha zona de conforto me proporcionou isso e já colho algumas compreensões. Sempre me dediquei as pessoas da minha vida, sempre tentei compreender as dificuldades e singularidades de todos, mas ninguém é obrigado a fazer o mesmo e eu não entendia assim, mas precisei passar (ou estar passando) por um dos momentos mais delicados de minha vida, mas deixa baixo, quando voltar aqui pra escrever mais uma vez, vou saber do que se trata.

O interessante de ser analista, é precisar fazer análise e como a psicanálise é aquele reboliço interno pra te destrinchar por inteiro, me vi um grande quebra cabeça desmontado e o barato de ser desmontado, é descobrir a origem das suas dores, dos traumas, revirar cada uma dessas questões e trabalhar em cima delas. Desenvolvi uma hipocondria grave no ano passado e só acreditei que estava tudo bem comigo depois de "perder" uma baita grana fazendo todo tipo de exame possível, se prometi um check up pra minha vida, ele veio completinho e agora a santa casa de São Paulo deve ter um estoque de uns 10 litros de sangue meu que ficou por lá. Sigo sendo a pessoa emocionada de sempre, que se entrega demais, mas que decidiu entregar um pouco mais pra si. 

Mas a vida não gosta desse negócio de trégua, né? Minha família nunca foi daquelas de incomodar um ao outro, sempre foi cada um no seu quadrado e agora mais do que nunca existe um fator que mobiliza a todos, a vida de minha avó. Já era um plano de minha mãe tá mais perto dela, mas isso parece cada vez mais consolidado com o passar dos tempos e isso tá causando uma avalanche de emoções em todos nós que sequer sabemos como será. Fui passar um período em São Paulo e minha mãe agora tem tudo pra ir de vez pra Vitória da Conquista e se as coisas da vida já eram incertas, agora é que são elas, e seguimos aqui rindo de nervoso. Volto logo com a parte II.