26 de fevereiro de 2023

BackUp - Parte I

Quase um ano se passou desde a ultima vez que estive aqui e por incrível que pareça, aqui é o lugar onde obtenho um melhor controle da minha vida, se é que da pra chamar isso de controle. Escrevo isso num momento da minha vida que passei mais tempo morando em São Paulo do que o tempo que estou morando em Salvador. Muitas coisas mudam ao longo das nossas vidas, alguns sentimentos permanecem, lidar com eles que é o inferno astral de nossas vidas. Eu nunca precisei cuidar de casa sozinho, de fazer comida, de pagar contas, de ter que fazer o dinheiro para pagá-las, inclusive, e de fazer a manutenção das pessoas a minha volta. Sair de casa, da minha zona de conforto me proporcionou isso e já colho algumas compreensões. Sempre me dediquei as pessoas da minha vida, sempre tentei compreender as dificuldades e singularidades de todos, mas ninguém é obrigado a fazer o mesmo e eu não entendia assim, mas precisei passar (ou estar passando) por um dos momentos mais delicados de minha vida, mas deixa baixo, quando voltar aqui pra escrever mais uma vez, vou saber do que se trata.

O interessante de ser analista, é precisar fazer análise e como a psicanálise é aquele reboliço interno pra te destrinchar por inteiro, me vi um grande quebra cabeça desmontado e o barato de ser desmontado, é descobrir a origem das suas dores, dos traumas, revirar cada uma dessas questões e trabalhar em cima delas. Desenvolvi uma hipocondria grave no ano passado e só acreditei que estava tudo bem comigo depois de "perder" uma baita grana fazendo todo tipo de exame possível, se prometi um check up pra minha vida, ele veio completinho e agora a santa casa de São Paulo deve ter um estoque de uns 10 litros de sangue meu que ficou por lá. Sigo sendo a pessoa emocionada de sempre, que se entrega demais, mas que decidiu entregar um pouco mais pra si. 

Mas a vida não gosta desse negócio de trégua, né? Minha família nunca foi daquelas de incomodar um ao outro, sempre foi cada um no seu quadrado e agora mais do que nunca existe um fator que mobiliza a todos, a vida de minha avó. Já era um plano de minha mãe tá mais perto dela, mas isso parece cada vez mais consolidado com o passar dos tempos e isso tá causando uma avalanche de emoções em todos nós que sequer sabemos como será. Fui passar um período em São Paulo e minha mãe agora tem tudo pra ir de vez pra Vitória da Conquista e se as coisas da vida já eram incertas, agora é que são elas, e seguimos aqui rindo de nervoso. Volto logo com a parte II.

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