26 de dezembro de 2020

Causa do óbito: Covid-2020

Não há palavras para definir o quão difícil e desafiador foi esse ano de 2020, aliás, morre ano perverso. Um ano que poderia ser facilmente riscado da história, foi também o ano que fez todo mundo se virar com o que pôde e lidar com os mais difíceis problemas internos possíveis. Quem vive só, precisou lidar com a solidão e a carência, quem vive com a família, precisou lidar com a presença massiva das pessoas que já se faziam presente no dia a dia, quem vive a dois precisou lidar ou se separou, não houve meio termo para os casais, enfim, foi um ano daqueles para esquecer, mas que nos desafiou de todas as formas possíveis.


Esse ano era promissor para muita gente, na vida pessoal e profissional, no meu caso o planejamento da minha empresa estava todo alinhado, as perspectivas eras as melhores, até explodir a pandemia, todos os clientes irem embora e aí, como é que paga as contas? A gente fica meio inerte, mas não dá pra chorar, pessoas como eu passaram a vida sem ter tempo pra chorar, falta tempo pra isso e a gente precisa se reinventar, infelizmente essa é a lógica injusta do capitalismo, se você não conseguir se reinventar, você é fracassado. É a tal da meritocracia que tanto vendem, enfim, dei meu jeito, tive que me virar em outros negócios e fazer as coisas acontecerem, e deram certo. Trabalho é uma preocupação constante, mas que foi suprida num momento difícil.


E como o ano já mostrou não ser fácil, as questões psicológicas não poderiam ficar de fora. Como lidar com o fato de não poder sair de casa? Um vírus invisível, que mata gente pra caralho fazendo estrago, e o seu mundo precisa ser às quatro paredes de sua casa e sua mente começa a apertar. Pessoas que você conhece começam a pegar a doença, pessoas que você conhece começam a morrer, pessoas que você ama pegam a doença, você fica aflito, angustiado, você assiste a televisão e mais de 1.200 pessoas morrendo todo dia por causa dessa doença e a autoridade maior do país minimiza, chama de gripezinha, diz que todo mundo vai morrer um dia e negligencia quem tá na linha de frente combatendo o vírus, desencorajando pessoas a seguirem as medidas de distanciamento, uma irresponsabilidade sem fim que leva o nosso país a ser o 3° pior em contaminação e mortes. E agora o desgraçado desencoraja até a vacinação, uma realidade paralela que ninguém gostaria de está inserida.


É um ano devastador, que nos tirou muita coisa, nos tirou pessoas queridas, nos tirou saúde mental, humanidade, paladar e até a coragem de encarar a vida e o cotidiano. Um ano que nos deixa saudade dos amigos e daquelas coisas básicas que a gente só valoriza quando não tem, o olhar, o toque, o beijo, o abraço, todo aquele afeto que negligenciamos um dia tem se mostrado cada vez mais necessário. O SEXO meu pai amado, as paredes de muitos viraram escalada esportiva, enfim, que possamos aprender com tudo isso, valorizar as coisas simples da vida, valorizar as pessoas que queremos ao nosso lado, afinal, nunca se sabe quando poderemos nos abraçar ou até olhar no olho do outro mais uma vez.


Que o natal de vocês tenha sido de muito amor e barriga cheia, e que a virada de ano seja repleta de boas energias, que Deus lhe conceda coragem para cumprir suas vontades, força para ir atrás delas e determinação pra cumpri-las. Quem determina os rumos de nossas vidas somos nós, o ânimo está na ação e não no esperar acontecer. Se lhe cabe, faça. Decida.


“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu:” Eclesiastes‬ ‭3:1

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